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Quem não pode fazer reposição hormonal na menopausa? Quais as contraindicações absolutas?

  • Dra. Daniela Russo
  • há 12 minutos
  • 4 min de leitura
mulher na perimenopausa tomando um café com um sinal de alerta ao fundo

A transição para a menopausa é um marco profundo na vida de qualquer mulher, trazendo consigo não apenas mudanças biológicas, mas também desafios emocionais que impactam diretamente o bem-estar.


Como endocrinologista, recebo diariamente pacientes que buscam na reposição hormonal uma forma de aliviar sintomas, resgatar a vitalidade e a saúde mental. No entanto, nem todas as mulheres poderão fazer a reposição hormonal na menopausa, e a segurança deve ser sempre o nosso primeiro pilar.


Entre o final de 2025 e o início de 2026, o FDA (Food and Drug Administration) revisou suas diretrizes, retirando advertências que assustavam muitas mulheres. Essa mudança, amplamente discutida e celebrada por especialistas, reconhece que a reposição hormonal na menopausa é segura para a maioria das mulheres, principalmente quando iniciada na chamada "janela de oportunidade".


Contudo, essa mesma flexibilização reforça a necessidade de identificar com precisão as mulheres que não podem fazer a TRH, garantindo que o tratamento não ofereça riscos superiores aos benefícios.

Vamos entender então, quem não pode fazer reposição hormonal na menopausa?


As contraindicações absolutas e bem estabelecidas

Quando falamos em contraindicações da reposição hormonal na menopausa, estamos nos referindo a situações clínicas em que o uso de estrogênio ou progesterona pode agravar uma doença existente ou desencadear um evento agudo grave.


De acordo com os protocolos mais recentes, existem cenários onde a prescrição é terminantemente proibida. O primeiro deles é o sangramento vaginal de causa desconhecida. Antes de iniciarmos qualquer hormônio, precisamos ter a certeza absoluta de que esse sangramento não é um sinal de uma doença endometrial (câncer, por exemplo).


Outro ponto crítico envolve as doenças hepáticas agudas e graves. Como o fígado é o principal órgão responsável pelo metabolismo dos hormônios, qualquer comprometimento severo de sua função impede a terapia hormonal segura.


Além disso, a porfiria, uma doença metabólica rara, também figura na lista de restrições severas. É fundamental que, antes de decidir pelo tratamento, a paciente passe por um check-up hormonal feminino completo para avaliar essas e outras funções vitais.


O histórico pessoal de câncer de mama

O câncer de mama e reposição hormonal na menopausa é, talvez, o tema que mais gera dúvidas e receios no consultório. Para mulheres que possuem um histórico pessoal de câncer de mama, a terapia hormonal é considerada uma contraindicação absoluta. Isso ocorre porque muitos tumores mamários são sensíveis ao estrogênio, e a introdução de hormônios exógenos poderia, teoricamente, estimular a recidiva da doença ou o crescimento de células residuais.


É importante diferenciar o histórico pessoal do histórico familiar. Ter uma mãe ou irmã que teve a doença não impede necessariamente a paciente de realizar a terapia hormonal na menopausa, mas exige uma vigilância muito mais estreita e uma avaliação de risco genético individualizada.


Para aquelas que não podem utilizar hormônios devido ao histórico oncológico, existem alternativas não hormonais e ajustes no estilo de vida que ajudam a mitigar os sintomas, como o uso de fitoterápicos específicos ou suplementos para menopausa, que podem oferecer suporte sem os riscos dos hormônios.


Risco tromboembolismo e fatores de coagulação

O sistema circulatório é outra área de atenção máxima. O risco de trombose é uma realidade que não podemos ignorar. Mulheres com histórico de trombose venosa profunda, embolia pulmonar ou distúrbios de coagulação conhecidos (trombofilias) apresentam uma das principais contraindicações absolutas menopausa.


O estrogênio, especialmente quando administrado por via oral, pode aumentar a síntese de fatores de coagulação no fígado, elevando o risco de formação de coágulos. Porém, várias entidades médicas mundiais já consideram segura a reposição do estrogênio por via tópica.


As diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia também alertam para o histórico de doenças coronarianas agudas, como infarto do miocárdio, e acidentes vasculares cerebrais (AVC). Se a mulher já sofreu um evento cardiovascular maior, a reposição hormonal sistêmica deixa de ser uma opção segura. Nestes casos, nosso foco volta-se para o controle rigoroso do colesterol, da pressão arterial e da glicemia, buscando o equilíbrio hormonal, por meio de terapias metabólicas indiretas e hábitos saudáveis.


A avaliação individualizada é crucial


mulher na menopausa fazendo uma consulta com endocrinologista

Além das proibições claras, existem as chamadas contraindicações relativas, as quais o médico deve colocar na balança a intensidade dos sintomas e os riscos potenciais. Condições como endometriose, miomas uterinos volumosos, doenças da vesícula biliar e hipertensão arterial não controlada exigem cautela.


Muitas vezes, optar pela via transdérmica (gel ou adesivo) em vez da via oral pode reduzir significativamente os riscos metabólicos e hepáticos, permitindo que algumas mulheres que teriam restrições à via oral possam se beneficiar do tratamento. A decisão de quando não fazer reposição hormonal deve ser tomada em conjunto, após uma conversa franca sobre as expectativas da paciente e a realidade dos seus exames.


Muitas mulheres chegam ao consultório com medo devido a informações desatualizadas, mas a verdade é que, para a mulher saudável, sem as contraindicações citadas e que está nos primeiros dez anos após a última menstruação, a reposição é uma das melhores ferramentas de longevidade disponíveis hoje.


Se você ainda tem dúvidas sobre este período, recomendo a leitura sobre menopausa e perimenopausa, onde detalho as dúvidas mais comuns que surgem no início dessa jornada.


Reposição hormonal na menopausa é segura

A medicina moderna não trabalha mais com verdades absolutas para todas as pessoas, mas sim com a personalização do cuidado. Saber quem não pode fazer reposição hormonal na menopausa é o primeiro passo para garantir que aquelas que podem o façam com total tranquilidade e respaldo científico.


As novas orientações do FDA publicadas entre 2025 e 2026 reforçam que a idade e o tempo de início são cruciais, e que as contraindicações absolutas servem como um mapa de segurança para o médico e para a paciente.


Se você está sentindo os impactos da queda hormonal em sua qualidade de vida, não sofra em silêncio por medo de riscos que podem não se aplicar ao seu caso. O acompanhamento com um endocrinologista experiente permite que cada detalhe do seu histórico seja analisado, garantindo que sua saúde seja preservada enquanto buscamos o seu melhor desempenho físico e mental.


Cuidar da saúde hormonal é um investimento na sua versão futura. Agende uma consulta para avaliarmos juntos o melhor caminho para o seu bem-estar.


Um abraço, 

Dra. Daniela Russo

CRMMG 41385 RQE 24679 RQE 24.678


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